domingo, 5 de abril de 2026

CONRAIL 50 ANOS!

A Consolidated Railroad Company CONRAIL foi fundada em 1 de abril de 1976 após o fim das operações da junção (merger) da New York Central Railroad e Pennsylvania Railroad chamada Penn Central para que o complexo ferroviário do leste americano não ficasse colapsado. A Conrail foi originalmente uma consolidação de operações ferroviárias do complexo Penn Central e de outras ferrovias conectadas, daí o nome Consolidated Railroad Co. e a abreviação Conrail. Embora o 50º aniversário de fundação dela foi lembrado neste ano, ela deixou de existir em 1998 quando ela foi vendida em duas partes, uma para a Norfolk Southern e outra para a CSX (Chesapeake System, Inc. & Seaboard Coast Line Industries, Inc.). Hoje essas duas empresas gigantes lembram a importância da empresa que compôs uma rede ferroviária que hoje faz parte do crescimento delas, um crescimento que elas nunca teriam sem o sucesso do modelo de consolidação e operação de ferrovias pelo modelo Conrail de gestão de transporte ferroviário e intermodal.


Eu embora soubesse sobre a Amtrak e a Santa Fe (Atkinson, Topeka & Santa Fe) e Amtrak, eu conheci a existência da Conrail em abril de 1994 quando eu tinha 18 anos de idade. Eu comprei uma edição da Model Railroader magazine de março daquele ano que chegou na loja de revistas Time que era a maior de Campo Grande. Aquela revista foi o meu contato com o mundo moderno e eu não sabia falar inglês. Foi por causa daquela revista que eu tive que usar muito o meu pequeno dicionário e decidi ser ferromodelista e quatro anos depois comprar um computador. As primeiras coisas que eu comecei a pesquisar na internet discada foi informações sobre a Athearn, a Model Railroader e a ferrovia Conrail. Eu lembro que não havia web site da Conrail na época, mas em pouco tempo uma página estática (sem animações) com poucas informações para contato foi lançada. Mal havia um logotipo da Conrail e nenhuma foto da ferrovia, o que para mim isso era frustrante. Ainda sem conhecimento da língua inglesa, a vontade era de escrever uma mensagem para lá era tamanha. Se eu não estiver equivocado, eu penso que escrevi para lá perguntando se a empresa possuía material impresso para distribuição, mas eles não tinham. O singelo web site dizia algo sobre um departamento criado chamado Conrail Shared Assets (Bens Compartilhados Conrail) que era uma empresa de gestão de vagões da Conrail serem compartilhados pela NS e CSX bem como três terminais logísticos. Essa empresa, se eu não estiver equivocado, faturava para manter a seguridade social dos ex-empregados da Conrail.

A Conrail imaginária:
Quando eu comprei essa revista e ao esfolheá-la com o coração saindo pela boca de tanta emoção por ter aquele nano pedaço dos Estados Unidos em minhas mãos e sentindo a pessoa mais privilegiada do mundo por isso, de repente surge essa foto da locomotiva GP35 da Bachmann série Plus nas cores da Conrail. Eu nunca imaginei que era possível uma empresa ferroviária utilizar tal ton de azul na pintura das locomotivas dela e logo pensei que era impossível aquele símbolo que combinava com o meu nome era tão moderno para as minhas poucas referências de marcas ferroviárias pudesse ser real. Só após ter contato com a terceira edição da Model Railroader magazine e mais uma de um amigo ferromodelista que morava na cidade que eu certifiquei que a Conrail existia de verdade. Na minha terceira edição da MRM eu vi mais anúncios de lojas abreviando a pintura da Conrail como CR. Eu vi um vagão gôndola na cor da Conrail além de um comercial da Walthers mostrando um kit de spin cars nas cores da Conrail, o que foi algo de estourar a mente (mind blowing) para mim. À cada edição da MRM eu via a diversidade de equipamentos, cidades servidas que compunham a Conrail.

Ainda sem ter fotos de trechos da Conrail na revista, mas já vendo uma maquete cujo tema era a Conrail e alguns produtos confirmando a existência da pintura em vagões e a própria ferrovia, essas informações eram o suficiente para eu imaginar que a Conrail era a empresa ferroviária da região de Nova York, que imperava pelos terminais logísticos e industriais que eu só imaginava como eram e que ela fosse a maior ou a terceira maior empresa ferroviária americana. Em quase tudo eu estava certo. Mas eu não sabia que a Conrail foi sim a maior empresa ferroviária de cargas dos Estados Unidos de 1976 até 1998. A rede de ferrovias adquiridas na junção de várias ferrovias do leste americano em uma holding federal que depois seria privatizada e revendida para duas grandes empresas ferroviárias conectadas à tal rede, era tão grande, que fazia as demais parecerem pequenas ou menos ocupadas, ou seja, tinham um tráfego muito menor. A Conrail ligava a CSX, a Norfolk Southern, a Union Pacific, a Santa Fe e a Burlington Northern bem como a SOO Line e tantas outras ao leste, pincipalmente o nordeste americano onde estão Philadelphia, Buffalo, Boston, New York City, Newark, Washington D.C. e outras cidades importantes. A linha mais movimentada e veloz da Conrail era a Chicago Line que estende de Selkirk, NY, a Chicago, IL. Aqui um vídeo para vocês conhecerem a dinâmica desse trecho tão importante, hoje operado pela Norfolk Southern.

Também um vídeo da antiga produtora Pentrex sobre a dinâmica das linhas de Pittsburgh, Pennsylvania, da Conrail. Interessante ver que no final doúltimo trem uma locomotiva SD40-2 estava recém-pintada com o padrão Conrail Quality. A empresa manteve o cronograma de repintura até o último dia de operação e mantendo as próprias cores. Conrail sendo Conrail até o fim. Clique na imagem para abrir a janela do vídeo hospedado no YouTube.

A perda daquilo que eu não pude estar perto para ver:
No entanto a Conrail foi vendida em 1998 e após o ano 2.000 ela foi pouco a pouco sendo apagada. Nenhuma das duas proprietárias do complexo ferroviário da Conrail manteve a pintura nas locomotivas, mas sim nos vagões que aos poucos foram sendo repintados ou tiveram logotipos da Conrail substituídos pelos da Norfolk Souther. No caso da CSX, ela trocou a maioria da pintura dos vagões. Infelizmente eu não pude visitar a América para ver de perto e tocar um pouco de tudo que foi da Conrail original ou o que hoje está como propriedade da Norfolk Southern e da CSX. Hoje o que resta-me é construir uma maquete que lembre um pouco da essência da Conrail mesmo possuindo pouquíssimos recursos e ainda enfrentar as limitações econômicas e tributárias deste país que nunca terá a experiência de possuir uma empresa com a dinâmica da Conrail.

Aprendizado:
Eu poderia passar horas escrevendo sobre a Conrail, mas eu quero deixar as minhas impressões principais e o meu agradecimento por essa empresa ter existido para servir de estímulo para eu buscar referências de mundo moderno, para eu aprender uma nova língua e mesmo que eu não conseguisse todas as vitórias que eu mereci ter, mas pelo menos sentir o encanto do mundo que deu origem à essa empresa de transporte gigante e fantástica, repleta de desafios e que movimentou parte do mundo sobre sua frota e trilhos. O legado gigante dessa empresa ficou vivo e operante para as novas gerações e continua na memória do povo americano e de quem pôde ser tocado pelo encanto de suas cores, frotas e paisagens que formaram o mundo de Conrail.

Agradeço a todos os idealizadores dessa maravilha ferroviária!

Cristiano

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